TIMaior e CERTICS: Desastres Tecnológicos

Nunca entendi direito porque o Estado Brasileiro gasta tantos recursos, desperdiça tempo, dinheiro, burocracia e infraestrutura para elaborar, publicar e manter programas completamente inúteis. Estamos falando de Bilhões de Reais.

Qual o propósito ? Gerar atos políticos ? Desculpem o sarcasmo mais depois de acompanhar as Políticas Industriais por mais de 30 anos, temos o direito de reclamar.

Entreguismo de Primeiro Grau

O desastre fica mais espantoso quando percebemos que essas Políticas Públicas em defesa da Tecnologia Nacional iniciaram em 1991, quando da promulgação da Lei de Informática, portanto há mais de 25 anos !!

Naquela época, o Brasil era a segunda maior potência em Software do mundo, milhares de produtos, centenas de Tecnologias, para termos uma ideia, mais de 20 Sistemas Operacionais, hoje temos quantos Sistemas Operacionais Brasileiros ?

Não começaram de baixo, não, já pegaram a Industria grande, vigorosa, cheia de tecnologia, facilmente comprováveis pela FENASOFT, quem viu, quem foi na FENASOFT sabe o que estou falando.

Portanto, a Politica Industrial foi negativa, destruiu a Industria Existente na época e Entregou todo o mercado Brasileiro para Tecnologias Estrangeiras.

Mas, se alguma coisa está ruim, pode ficar pior, pois esse Entreguismo Tecnológico tornou-se Entreguismo Estratégico, uma vez que perdemos Soberania, não temos nenhuma segurança cibernética, a quantidade de backdoors é imensa.

Coitada da Urna Brasileira de Votação, o que já foi símbolo da indústria nacional, agora é toda importada, será que é manipulada por estrangeiros ?

 

 

 

 

Nesse post vamos tratar de duas iniciativas que prometiam muito e viraram pó, desperdício dos recursos do Estado, tempo, burocracia, infraestrutura, servidores, dinheiro e soberania nacionais: TIMaior e CERTICS … Custo Brasil da ineficiência.

Existem casos de sucesso sim, aqui e acolá, alguma iniciativa floresce, são exceções que de forma alguma justifica a quantidade Bilionária de Recursos fomentados para CTI, notadamente Software Básico, uma área que o Brasil era Potência Mundial e a indústria desapareceu completamente, apesar dos Bilhões de Reais aplicados pelo povo brasileiro.

O cálculo é simples, o PIB do Software Básico Nacional não chega a 1% do PIB de TI do Brasil, que é um dos maiores do mundo, praticamente todo Software Básico utilizado pelo governo brasileiro é estrangeiro.

O Brasil continua nas últimas posições de Inovação e Competitividade no mundo.

Um daqueles mistérios do universo, o MCTIC e SEPIN regulamentaram a Lei de Informática de 1991, porém por alguma razão jamais explicada, regulamentaram apenas a área de Hardware e esqueceram o Software.

Aconteceu então o primeiro desastre, a Política Industrial Destruiu a forte Indústria Nacional de Hardware !!

Uma vez que o regulamentação da Lei de Informática privilegia a Montagem e Produção do Computador, não a sua Criação e Patentes. Já tá na hora de perceberem que os computadores não se tornam brasileiros porque são montados e produzidos no Brasil.

Para o MCTIC o IPhone da Apple é Chinês, porque é montado e produzido na China.

Que raciocínio equivocado …

A anedota é que o Brasil nas décadas de 80 e 90 educava engenheiros para construírem computadores, enquanto que na década de 00 e 10, o Brasil passou a educar engenheiros para vender computadores.

TIMaior

Pronto, chegamos no primeiro programa que desejamos falar, TIMaior, um documento magnífico, impressiona a clareza, o volume de recursos, os objetivos, a abrangência, enfim, tudo que o Brasil precisava para finalmente voltar a ser a Potência em Software que havia sido na década de 90.

Com 21 anos de atraso, desde a Lei de Informática em 1991, finalmente o MCTI Regulamentou o Software, publicou o TIMaior em meados 2012, um nome pomposo: Programa Estratégico de Software e Serviços de Tecnologia da Informação – TIMaior, com ações de incentivo, fomento e financiamento à pesquisa e desenvolvimento em TI no Brasil, ainda com propostas para um novo Programa Estratégico de Software e Serviços de TI.

O programa TIMaior tinha cinco pilares:

  • Desenvolvimento Econômico e Social,
  • Posicionamento Internacional,
  • Inovação e Empreendedorismo,
  • Competitividade,
  • Pesquisa, Desenvolvimento Tecnológico e Inovação.

Um desastre fabuloso, pioramos muito em todos os itens.

É bom repetirmos que os casos de sucesso são exceções que não justificam a quantidade de recursos que o Estado aplica em fomento de CTI, o Brasil está nas últimas posições no mundo quanto a Inovação e Competitividade.

Custo Brasil do Desperdício, onde o povo brasileiro paga a conta.

Certificação de Software Brasileiro, CERTICS

Gente, o CERTICS parece ser coisa de primeiro mundo, cada documento maravilhoso, estrutura robusta, certificadores, avaliadores, capacitadores, muito bem feito, ilustrado, explicado …

O lema do CERTICS é vigoroso e estimulante: Creditando Software. Acreditando no País.

Só que … Não Funciona !!

O CERTICS é outro Desastre, perda de tempo, dinheiro, burocracia e infraestrutura, da forma que está não serve para nada, aliás, desperdício se tornou a normalidade da Política Industrial Brasileira.

Quais são os problemas do CERTICS ?

Primeiro equívoco: o CERTICS valoriza uma empresa sob o ponto de vista de estrutura organizacional, exigindo Certificações, Processos e Metodologias.

As exigências são tão pesadas nesses aspectos que a Microsoft, Apple e Google não seriam Certificadas quando lançaram seus produtos no mercado, pois não tinham ainda a Governança exigida pelo CERTICS !!

Segundo problema, o CERTICS oferece uma margem de preferência de compra de 15% para as Empresas Certificadas em relação aos Produtos Estrangeiros.

Ora, os Softwares Brasileiros jamais foram mais caros que os Importados, portanto essa margem não serve para nada. O Software Nacional não precisa, de forma alguma, de margem de preferência !!

Essa é a história por que o CERTICS fracassou …

Mas, temos algumas sugestões que poderiam salvar o CERTICS, tornar-se eficaz e propiciar a tão almejada Geração de Riquezas:

  • O CERTICS deveria avaliar uma empresa prioritariamente sob o ponto de vista de Tecnologia, Patentes e Registros de Programa de Computador no INPI, e não a Governança.
  • Todos os órgãos do Estado seriam obrigados contratar pelo menos 10% de suas compras de Software em produtos certificados CERTICS.

Com o foco nos Softwares como Produto Registrado no INPI, mais empresas seriam estimuladas a desenvolverem produtos e não Processos, Metodologias e Certificações.

Não que Processos, Metodologias e Certificações não sejam importantes, são importantes sim para serviços, não tecnologia, que muitas vezes são desenvolvidas sem método, processo ou certificação alguma, como o Apple II e o DOS da Microsoft.

Portanto, iremos estimular Tecnologia Mesmo, de Verdade, Registrado no INPI !!

Essas empresas teriam outra fator de estímulo, um mercado de 10% do Poder de Compra do Estado, o Uso do Poder de Compra é praticada em diversos formatos por todos países desenvolvidos.

Finalmente, vamos voltar a Gerar Riquezas com Software Nacional, pois o Estado gasta vários Bilhões de Reais todos os anos com TI, parte desse Poder de Compra voltará a ser da Indústria Brasileira, ao contrário do que temos hoje, uma Reserva de Mercado Invertida na área de Tecnologia e Software Básico, onde 100% Importada !!

O Brasil atualmente Usa o Poder de Compra do Estado Contra as Tecnologias Nacionais.

 

 

 

 

 

 

 

 

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Sobre Jairo Fonseca

Ativista Tecnológico desde 1995. Empresário de TI desde 1987. Analista de Sistemas com +40 anos de experiência.

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